domingo, 16 de dezembro de 2007

no fim do dia.


eu acho que no fim do dia
o que sobra mesmo
é o sono
porque a lua tem um veneno
que insiste em fechar-me os olhos.
mas eu não quero dormir.
não, mãe, eu não quero.
os sonhos são pesadelos
e tão bonitos quanto a lua
que dança no riacho
que aqui perto de mim
não existe.
então tapem o sol
com os dedos que lhes restam
mas não deixem-me dormir
não com a lua dançando tão bonita
por seu amor platônico
pelas estrelas.
e uma me cai do céu da boca
quente como fogo
queima tudo por dentro.
enquanto eu,
meu amor,
sou da tua vida,
um mero esboço.

3 comentários:

Salve Jorge disse...

Esboço
Pra guardar no bolso
Esquerdo
Sobre o peito
Bem sabes
Sou afeito
Ou melhor, sou viciado
No seu joelho dobrado
Na lua
Quando resolves ofuscá-la
Ganho a rua
Mas por lá não há nada que valha
Ficar contigo pela sala
E torcer uns versos
Para sorver o sumo
E te usar como adoçante
Para dares às parcas letras
Seu gosto inebriante
Na terra onde és esboço
Ainda sou moço
E não mais existe arte-final...

Suicidio Cultural disse...

e fez-se silêncio...

poeta quebrado disse...

if you need me to take the cancer.
and inject it into my veins.
cancer.

you are my dying father.

i miss you like my grandfather's death. i never had a chance to say goodbye. rest your talons on a highwire.
resting your neck against my wing.
my own unwedded self-destruction seems so comforting.
mostly at these times.
when are you coming home.